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Recepção| O Mandarim (de Eça de Queiroz)

       Recepção de  Vitor Marcolin.           N o Brasil, chamamos “resenha”   a publicação  cuja finalidade é  analisar e criticar brevemente  um  texto ou livro   — geralmente de literatura. No entanto, acho mesmo que a forma portuguesa “recepção”  vença por ser mais correta , por exprimir melhor a atmosfera d e entusiasmo em torno da  chegada de um a  nov a   obra :  nós  a   recepcionamos.  É claro que há um paradigma , isto é, um modelo que precisa ser observado , sob o risco de se redigir um trabalho que, de tão  distinto do espírito da análise e da crítica, torne-se qualquer coisa, exceto uma recepção. Entretanto,  é preciso  considerar que  quem  efetivamente recebe o livro é um indivíduo, um  eu substancial  que, para criticar e analisar a obra, se  dispõe a participar da realidade que ela comunica.  Em suma, a...

Culpa| Soneto

Poderia ter sido tão diferente Sei que já passou muito tempo, não o suficiente. A dor, a ausência, a solidão Transformaram o meu coração.   Mesmo não querendo, por força maior, Fico somente uma questão por responder: De quem é a  maldita culpa, pode alguém dizer? Não sei se é minha ou tua? O que é pior?   Se for minha, assim me contentarei Um fardo pesado ao peito carregarei E, esta frieza e tristeza do mundo perceberei.   Mas, serei eu assim tão culpada quanto julgo? Não terei eu dado o meu melhor Com o que tinha no momento?                                                                                                        ...

O Horizonte Açoriano: evasão e aprisionamento

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Ensaio escrito por Matilde Lopes   Rebelo, Domingos. (1924). Costa dos Mosteiros [óleo sobre tela]. Museu Carlos Machado      O Arquipélago Açoriano, rodeado da imensidão do horizonte, não pôde escolher o seu sustento, associando-se, desde início, àquilo que o aprisionava: o mar. Este mar, figurado muitas vezes como a prisão dos açorianos, também foi visto, por muitos, como a única saída. Deste modo, pode-se afirmar, num primeiro momento, que o mar apresenta este duplo efeito na vida de cada ilhéu.       Esta duplicidade influenciará profundamente aqueles que sonham ultrapassar a linha do horizonte, ora com neblina ora com a silhueta de uma ilha ao fundo, e procurar recomeçar a sua vida sob outro céu sem o tão familiar «capacete». Esta inquietação evasiva atormenta o espírito do açoriano desde o momento em que vê, pela primeira vez, a espuma a chegar à areia, terminando quando consegue, finalmente, escapar da rocha vulcânica. Porém, é certo que, c...