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O Horizonte Açoriano: evasão e aprisionamento

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Ensaio escrito por Matilde Lopes   Rebelo, Domingos. (1924). Costa dos Mosteiros [óleo sobre tela]. Museu Carlos Machado      O Arquipélago Açoriano, rodeado da imensidão do horizonte, não pôde escolher o seu sustento, associando-se, desde início, àquilo que o aprisionava: o mar. Este mar, figurado muitas vezes como a prisão dos açorianos, também foi visto, por muitos, como a única saída. Deste modo, pode-se afirmar, num primeiro momento, que o mar apresenta este duplo efeito na vida de cada ilhéu.       Esta duplicidade influenciará profundamente aqueles que sonham ultrapassar a linha do horizonte, ora com neblina ora com a silhueta de uma ilha ao fundo, e procurar recomeçar a sua vida sob outro céu sem o tão familiar «capacete». Esta inquietação evasiva atormenta o espírito do açoriano desde o momento em que vê, pela primeira vez, a espuma a chegar à areia, terminando quando consegue, finalmente, escapar da rocha vulcânica. Porém, é certo que, c...