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Alice Moderno: Biografia e Antologia

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  Alice Moderno aos 18 anos Biografia Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno, a figura central do meu ensaio, nasceu a 11 de agosto de 1867, em Paris. Era filha de Celina Maulaz Moderno e de João Rodrigues Pereira Moderno, médico homeopata. Ambos eram emigrantes do Brasil, país onde nasceram e casaram, emigrando para França no ano de 1867, tendo quatro filhos: Alice, Luís, Vítor e Maria ( Secretaria Regional da Educação e Cultura, Direção Regional da Cultura. (2015). Alice Moderno: 1867– 1946: Cidadania e intervenção: Exposição (R. D. Gregório, Coord.), pág.1). Numa carta enviada a Joaquim de Araújo, Alice descreve um pouco da sua infância na França. Ela deixa claro que foram tempos felizes, apesar de, aos sete anos, ter de lidar com a tensão familiar entre os pais. Pelo seu relato, percebe-se que a situação era complicada, já que o seu pai se apaixonou por uma caixeira de um estabelecimento de modas e abandonou a família para viver uma aventura romântica ( Vilhena, M. C. (...

Luís de Santarém

  Há muitos, muitos anos havia, em Portugal, um homem sábio e douto, que passava os seus adiantados dias de vida a escrever. E se lhe deziam ou pediam que descansasse, o velho olhava a pessoa de alto a baixo e pedia apenas luz e sossego. A única pessoa que esse rapaz de génio sanguinário e rebelde ouvia era a sua velha mãe. Toda a vida, com uma pequena exceção, tinham vivido na nobre cidade de Santarém, que Garrett mais tarde veio pintar. Não eram abastados, mas conseguiam viver, graças a uma tença em honra do falecido pai. E se sua mãe lhe pedia, com modos carinhosos, dois minutos da sua atenção, ele acedia e parava momentaneamente a sua tentativa de ficar, como os seus heróis, na História. As vezes em que a mãe requeria a sua presença eram, sobretudo, para comer ou, raras aparições essas, em caso de visita do seu tio, Miranda de Sá. O tio era um homem ainda mais velho (que naquele tempo toda a gente era velha), sempre com histórias a contar. Nessas visitas é que o escritor se...

Recepção | Manhã submersa (de Virgílio Ferreira)

         É superficial dizer que Virgílio Ferreira, em Manhã submersa , faz não mais do que uma ferrenha crítica contra a Igreja Católica e o estilo de vida português de meados do século XX  A l iás, arregimentar o referido  escritor nas fileiras do anticlericalismo é uma estratégia típica dos leitores contemporâneos  —  em sua maioria jovens  — , que em tudo veem armamento para su a suposta luta por “justiça”, seja lá o que isso  queira dizer .  De fato, os elementos de crítica estão presentes na obra, mas  sob uma hierarquia de valores, o que não é evidente. Explico.              Desde sempre,  na organização da sociedade,  o serviço prestado a Deus pelo sacerdote exige uma disposição  interior fundamental: a  vocação ,  isto é ,  o   chamado  da divindade que, ecoando na consciência do indivíduo,  valida   a decisão d este  em...